terça-feira, 31 de agosto de 2010
Só quero me lembrar daquilo que faz parte da vida. O que vier de fora pode incomodar, mas se tem esse fim, então é pra isso que veio. E deixa incomodar... não gosto de pensar quando vai acabar porque talvez assim o distúrbio se acentue. E não importa a marca que deixe, vou ter que passar por cima. Fazer carinho na desgraça, pode até esconder o (d)efeito, como o ator se esconde com a maquiagem e o figurino no palco. Mas ela vai estar lá, e foda-se! Você veio aqui pra isso. Você tem que se deixar ser engolido. Pelo destino. E o que vier é lucro. Tudo é lucro, mesmo parecendo que não. Até o que faz mal é bom, teu espírito evolui. Quando andar descalço sobre o vidro, verá que tudo atrás se restitui, formando um espelho. E quando olhar por cima, verá um ser grandioso no reflexo. Um guru maculado e com muito orgulho de tudo aquilo que te conspurcou, porque, claro! essas manchas são tua vida. E também verá como essas manchas te deixam mais belo. Eu viro as costas pro espelho, e não sei se quero olhar o que nele está refletido. Não agora, pelo menos. Espero mais cacos se unirem pra ver o resultado. E caso tenha que jogar uma pedra e tudo tiver que voltar pro início, jogo duas. Quero refletir aquilo que fica gravado em mim(pessoal). Talvez quando eu resolver virar, me depare com o nada. E aí deixa, não era pra ser visto...
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
"Menininha do meu coração
eu só quero você
a três palmos do chão.
Menininha, não cresça mais não!
Fique pequenininha na minha canção
senhorinha levada
batendo palminha,
fingindo assustada
do bicho papão"
Era pequeninha, com seu vestidinho xadrez, o diadema no cabelo, e o Thó Xêxudo na mão. Assim vagava pra cima e pra baixo. Por vezes saltitante, por vezes cabisbaixa. Bem de lua, bem bipolar, como as crianças normalmente são. Já foi pega diversas vezes olhando pra lá, mais pra lá, distante, com o olhar perdido, como se já fosse uma mulher feita.
"Menininha. que graça é você!
Uma coisinha assim,
começando a viver.
Fique assim, meu amor
sem crescer..
Porque o mundo é ruim, é ruim
e você vai sofrer de repente
uma desilusão,
porque a vida é somente
teu bicho papão"
Era ingênua, com seu tempero excêntrico, o cheiro memorável deixava por onde passava, e o Thó Xêxudo na mão. Por vezes chamava atenção dos pais, por vezes das crianças. Bem bonitinha, bem preocupada, como as crianças realmente não são. Já brincou de ninar, de bonecas, e já parou pra pensar quantos grãos de areia cabem na ponta do nariz.
"Fique assim, fique assim
sempre assim.
E se lembre de mim
pelas coisas que eu dei.
E também não se esqueça de mim
quando você souber enfim
de tudo que eu falei."
Nanana, lalala.. e a voz do avô ia virando um zumbido. E ela vivendo presente no futuro que já tirava sono. Alternava suas viagens psicóticas das irrelevancias que atormentam uma menininha com aquelas que acordam mães na madrugada. Ela era diferente de tudo que já passou pela sua idade. Pensava na mordomia que foi criada. Mas era só largar o Thó Xêxudo um pouquinho, que um campo de batalha naval invadia sua realidade.
"Menininha, menininha..."
E assim ela foi deixando sua credulidade. Com o tempo deixou de parar e pensar, passando a pensar e parar de olhar pros lados com os mesmos olhos que o Thó Xêxudo já assistiu...
domingo, 22 de agosto de 2010
CADEIRA DE MASSAGEM
Aquela dor, aquele incômodo, aquele assunto mal resolvido.
A necessidade especial de algumas palavras, de uma palavra, de um sorriso... Tá bom, apenas de um olhar, aquele olhar, pra saber que tudo vai bem, ou até, que tudo não vai.
A dúvida, a dor. A incerteza de tudo regada da certeza do nada, ou talvez, da certeza do não será nada.
Um tapa na cara! O concreto jogado nos olhos do não ser, não acontecer.
Re-trauma com cheiro asfixiante de culpa. Culpa simples de vontade de achar, querer.
A companhia de braços envoltos de medo e, principalmente, amor e admiração.
Uma palavra: exemplo.
E, desta vez, depois de uma mesa, café, palavras e um trago, um do-in em seu dedo mínimo seguido da cura.
Loucura, né?!?!
(Uma homenagem, umas verdades.)
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
INTEIRA
Com minhas meias
ando pela casa.
Minhas meias verdades,
meias paranóias
que não levam a lugar nenhum.
Até a metade do caminho ainda é seguro voltar
da metade pra lá, você fica partido
ao meio.
O aroma do incenso que vem e passa
me acalma e compensa
a falta que o silêncio faz.
Dá preguiça de acertar
é melhor as vezes deixar
pela metade.
(E o resto regenera-se)
domingo, 15 de agosto de 2010
Lemniscata
Meu cigarro tá acabando. Merda. E eu não consigo acender outro, nem mesmo no próprio cigarro. Que merda de vício! Posso acabar com ele agora mesmo; pra isso preciso sentir a dor do cigarro e como ainda não tenho câncer, só posso enfiar essa merda na minha própria pele. Vai doer pra cacete. Mas eu não quero parar. Todos têm seus vícios e esse é um dos meus. Também tenho minhas virtudes que vão muito além desse pequeno cilindro recheado de morte, espero que algum dia alguém veja isso. Acho que se eu cravar esse resto de cigarro na palma da minha mão, aí mesmo que não largo o vício. Que se foda a dor. Faço dela minha amiga passageira. Se ela veio, é pra me mostrar algo. Não sei o quê, ainda não senti. Pode ser pra me mostrar que sou um idiota, ou talvez pra dizer que a vida é assim mesmo, cheia de dores e eu preciso me acostumar com elas. Porra, finalmente consegui acender esse isqueiro!
(pós-inspiração)
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
PORTA
Pelo buraco da fechadura o menino desvenda mistérios,
Descobre um mundo que agora passa do imaginário para o palpável, afável, apreciável...
Pelo buraco da fechadura todo o mel da Terra é derramado
E todos os sabores são provados.
Um vento gelado na espinha lembra qual lado da fechadura ele está,
É do lado de cá.
E o coração grita tão alto,
- Cuidado para não acordar a Moça! Dorme profundamente sob as estrelas.
Deseja que essa visão não acabe, e não acabará,
O homem levará para sempre o menino que um dia roubou de um buraco de fechadura um pedaço do céu.
Assinar:
Comentários (Atom)







