quinta-feira, 29 de julho de 2010
Fiquei esperando a lua cheia vir me acordar novamente. Seria o terceiro dia seguido em que ao abrir os olhos me depararia com aquela bola branca, brilhante, furada, linda. Mas ela não apareceu pra mim hoje. Acordei e encontrei chuva. Literalmente o céu chorava. Ele deve ter se identificado de alguma maneira com minha tristeza em relação a ausência da lua me olhando, e por isso chorou.
Não chorei, mas fiquei me perguntando porque minha expectativa havia ido por água abaixo, realmente água. Acho que de tanto ficar pensando, não tanto, mas me flagrar pensando em alguns momentos dos dias anteriores no encontro seguinte com a lua, acabou interferindo em sua aparição.
Dizem que não se deve criar muitas expectativas para algum fato do futuro pra evitar maiores frustações. O que de fato aconteceu, me frustrei: queria ser acordado pelo brilho da lua cheia batendo nos meus olhos; sem nenhum motivo específico, achei incrível acordar com ela nas duas outras vezes. Foi algo tão diferente, diria único, não encontrar o sol e sim, sua prima Lua. Não pude nem me contentar com a companhia da chuva durante o resto do dia, pois pelo decorrer dele constatei que havia sido apenas umas pancada de chuva da madrugada.
Mas, como nada é como a gente quer - e isso eu posso comprovar - fico com o sol, e aguardo ansiosamente a próxima visita da lua à minha janela, prometo admirá-la com a mesma adoração que tive em nosso primeiro encontro...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Tudo escuro e o brilho no céu. Na noite descobri a perfeição. Aquele tal do "o que é perfeito?" me visitou ontem, de madrugada, quando o sono não queria bater na minha porta. Descobri que a perfeição mesmo é o silêncio da noite. De uma casa onde estão todos dormindo, e o estouro da bomba são as pernas mexendo no lençol, o vento batendo na cortina, ou o carro passando na rua. Tudo quieto.
Era preciso levantar e apreciar cada detalhe daquela beleza toda. Da janela era possível ver a maioria das outras janelas apagadas. Alguma ou outra acesa. Será que ali eram mulheres solteiras? Homens resolvidos? Casais apaixonados? Ou pinceladas? E possivelmente, em alguma daquelas apagadas estaria alguém pensando no que fazer amanhã, ou talvez mesmo se fazendo as mesmas perguntas retóricas ou existenciais que normalmente seriam feitas por mim. Mas que naquela noite foram esquecidas, para dar o lugar ao meu conceito de perfeição (nada retórico, nada existencial).
Uns fedelhos resolveram se incluir no meu juízo, e passam pela rua gritando, se encaixando de uma forma estranha na sintonia do meu azo.
Só eu estou aqui presenciando isso e o egoísmo se faz presente! Daqui de cima eu posso ver uma vida noturna agradável: os porteiros conversando, os gatos e suas miadelas, as estrelas olhando tudo. Pronto! Mais alguém comigo, admirando a perfeição... Só que de lá parece ser tão alto. Se em minha companhia pudesse ter um Braga, um Meirelles, um Anitelli, era mais provável que atingíssemos um público com menos tempo para nos ler, e isso nos iria impulsionar a descrever todas as minúcias. Mas o que me resta sou eu e eu mesma - sem Irene. Sem intenções de atingir sabedoria, até porque a mais crua simplicidade já vai ser capaz de chamar atenções. E é claro, que se inspiração te visitar durante a noite, está permitido ir de encontro com sua perfeição.
ATENÇÃO VOCÊ!
Se isso acontecer, sua declaração é bem vinda.
domingo, 25 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Das palavras que falou, guardo na memória as mais preciosas: “Coloque amor em tudo o que você faz, a partir disso alcançarás as estrelas se quiseres.”
Abro os olhos cheios de lágrimas, mas com a certeza de que é dela que vem a força nos momentos de solidão, ela me conhece no fundo da alma, onde nem eu consigo enxergar. É com ela que eu sonho sem dormir e é com ela que eu durmo para poder sonhar.
Para a minha avó, Maria Rosa, que tem nome de santa e cheiro de flor.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O que é, o que é?
Passa passando cada vez mais passageiro.
Não para, não cessa...
Um rio de águas claras que de vez em quando recebe escuras, mas que só morre quando tudo é destruído.
Meu pulso pode parar, mas ele não para; minha parede pode cair, mas ele não para.
O mundo pode acabar...
Mas e se as mentes mudarem? E se cabeças pensantes surgirem?
"Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã."
Janis Joplin
EM HOMENAGEM AOS 40 ANOS DA MORTE DE JANIS JOPLIN E JIMI HENDRIX, GRANDES NOMES DA MÚSICA, DA VIDA INTERNACIONAL.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Eu cresci. Não acho que tenha me tornado tudo isso que você, com olhos de mel, vê em mim. Tenho consciência do ser humano que fui, sou e que você me tornou. Você em seus monólogos me contava as pressões e as aflições que o mundo me imporia pro resto da vida. Sem me dar a chance de opinar, me impôs você mesma a minha primeira angústia. Não me queixo disso. Você me fez ser forte, mas ao mesmo tempo me distanciou.
Eu sei, não foi algo planejado. Tentando fazer de mim um novo projeto de você (que teria que dar certo de qualquer maneira) você se atropelou e me atropelou. Esqueceu que nem eu, nem ninguém no mundo pode concertar seus erros, aproveitar suas oportunidades, viver a vida que você queria ter vivido.
Quanto a nossa última conversa não me arrependo de nada que tenha te dito, mesmo que te tenha feito sofrer. Sua fragilidade nunca fez de mim superior, você ser sensível só me deixa orgulhosa e cada vez mais me convenço de que as palavras ditas por mim não poderiam ter sido melhores. Não me entenda mal, jamais quero te ver infeliz, quero apenas que entenda e respeite meu espaço. Para uma mãe, é triste a distância de sua filha. Uma filha pela qual você sempre buscou dar seu melhor. Eu reconheço essa sua virtude, seu mal foi se perder numa busca inquieta por algo que nunca poderia ser meu: a sua vida. Mesmo assim te amo, te amo e te perdôo. Na verdade a culpa não te pertence, ela vem de muito antes. Não te devo perdão.
Adeus.
De mim.
Post Scriptum: "Nasceste para o Sol; és mocidade
Em plena floração, fruto sem dano
Rosa que enfloreceu, ano por ano
Para uma esplêndida maioridade."
(Soneto da maioridade- Vinicius de Moraes)
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Você cresceu, agora uma mulher. Minha mulher das pernas longas que querem caminhar sozinhas. Quando eu ouvia isso por aí, era difícil de acreditar que me aconteceria o mesmo. "Sempre acontece com os vizinhos", mas a nossa hora chega. E agora você tá aí. Eu aqui. Difícil é dormir sem antes passar no seu quarto e sentir o seu cheiro. Posso até te proporcionar um sorriso, mas não vou negar: coloquei uma boneca na sua cama pra ter quem cobrir, e dar beijo de boa noite. Parece coisa de louca, só que um dia a sua hora vai chegar. Não! De jeito nenhum! Não estou te agorando, "mas a nossa hora chega". Quero te dizer mais uma coisa: eu ando sendo uma pessoa infeliz. Já cansei de me ouvir isso, e nem pense que a culpa é sua. A ideia não era dividir minha infelicidade com você, era apenas explicar que desde a nossa ultima conversa eu ando incorfomada com as coisas que você me afrontou. Por 17 anos, já ouvi coisas piores vindas de você. Dessa vez eu não sei em que tempo estavam os verbos, se os sujeitos foram naturalmente atingidos, ou se os modalizadores foram enfatizados demais... porém o choro está sendo sempre bem vindo. E a colombina permanece com seu sorriso no rosto, dando gargalhadas da vida alheia, e a mando (de) seu arlequim. Você sempre foi bem vinda aqui, seu quarto ainda te espera (e eu também).
Da sua mãe.
aguardo resposta.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
COBERTURA
Quando se está na beira do mar tudo vem. Tudo vem e se junta ao nada, e disso se dá o mais ou menos. Mais ou menos certo de tudo, mas certo da incerteza de tudo.
As ondas vêm, e, por menores que sejam, sempre te trazem alguma lembrança... Lembrança do que você fez e logo dos arrependimentos, mas também, lembranças de tudo que deixou de fazer, e dessas, arrependimentos (in/per)versos.
É o mar, poderoso como só ele... Faz o caminho até o horizonte, o caminho até as certezas, até a perfeição. Para os derrotados: a não possibilidade de alcançá-lo. Para mim: a possibilidade é o aqui, é o agora, basta olhar pra seu lado e se deparar com seus amigos e, ao invés de percorrer 4km, subir 21 andares, aí sim, você achará a tão desejada perfeição.
E quanto ao horizonte? Não, não verás ele, estarás nele!!!
Dedicado com muito carinho a Maria Theresa, Lucas Moraes, Lucas Quintanilha e Nathália Oliveira, por termos nos unido fazendo com que passássemos a ser um só, um só ser, uma só alma.
(2010 - Eternidade)
sexta-feira, 2 de julho de 2010
( Peço encarecidamente que o texto seja lido com sua trilha sonora - Youtube - Devotchka, The winner is - para que a visualização das imagens se faça por completo. Uma mobilete agradece. )
Um céu azul-bem-azul. Um chão verde, de gramado. Uma montanha que.. Não! Um morro que seja delicado, sutil. Uma locação que pede uma foto. Chega a pegar a máquina fotográfica. Mas, de trás de você, surge um menino correndo. Ele não te enxerga, e continua correndo. No mesmo momento você interrompe o movimento em direção à camera e a cena o prende. Em direção ao morro ele vai. Chega no topo sem dificuldades. Então se vira e você começa a decifrar. O figurino é de chamar atenção, e pelo que parece, é de um príncipe! Desse ângulo ele aparenta ser bem novo, uns 7 anos. Com cara de "George".
Parece que a capa de majestade o incomoda. Ele arranca aquilo como se fosse um turbilhão! Rasga, e joga pro alto quando o vento pega e coloca no ombro de quem assiste a tudo. Quer dizer, você! Que já está sentado no chão, hipnotizado. CAIU! Ou se jogou?! Não deu pra ver direito. Mas George deitou, com os braços e pernas esticados, agradavel, não parece ter doído. Com a barriga pra cima, uma borboleta pousou no seu nariz.
Depois de um tempo, o rapazinho se reergue, e sentado, te olha. Não chega a incomodar, mas aquilo se prolonga por tempos, minutos, horas... E quando vocês acordam, se vêem muito próximos. Parecem um corpo só de tanta sincronia. O vento bate, mas não o bastante pra desequilibrá-los.
Mão na mão. Ele se esfarela, suas lágrimas com motivo incerto surgem. A reflexão vem. George foi e levou uma sensação inédita com ele, e sabe-se lá quando isso ia se repetir. Era felicidade com raiva, paixão com angústia, ansiedade com saudade. Não fique culpado! A questão não era manipulável.
Seu despertador tocou. Hora de acordar. Você se veste, e sai de casa sem um rumo, procurando em cada esquina o príncipe. Pode ser até sem aquele figurino, e com certeza longe daquela locação, sem aquele vento, sem aquele cheiro. Mas o rosto tinha que ser o de George.
A busca começou, e vai levar anos da sua vida. Até um dia que você vai achar já ter esquecido desse sonho, quando estiver na praia, vendo seu pôr-do-sol de cada dia, George vai passar. Vai conseguir tomar sua atenção por alguns minutos. Sem reação, você, leitor(a), só vai conseguir vê-lo andar, e depois vai guardar a lembrança dele de costas, em direção ao Arpoador, correndo, chegando lá em cima sem dificuldades, se virando pra você e se esfarelando.
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