quarta-feira, 25 de agosto de 2010
"Menininha do meu coração
eu só quero você
a três palmos do chão.
Menininha, não cresça mais não!
Fique pequenininha na minha canção
senhorinha levada
batendo palminha,
fingindo assustada
do bicho papão"
Era pequeninha, com seu vestidinho xadrez, o diadema no cabelo, e o Thó Xêxudo na mão. Assim vagava pra cima e pra baixo. Por vezes saltitante, por vezes cabisbaixa. Bem de lua, bem bipolar, como as crianças normalmente são. Já foi pega diversas vezes olhando pra lá, mais pra lá, distante, com o olhar perdido, como se já fosse uma mulher feita.
"Menininha. que graça é você!
Uma coisinha assim,
começando a viver.
Fique assim, meu amor
sem crescer..
Porque o mundo é ruim, é ruim
e você vai sofrer de repente
uma desilusão,
porque a vida é somente
teu bicho papão"
Era ingênua, com seu tempero excêntrico, o cheiro memorável deixava por onde passava, e o Thó Xêxudo na mão. Por vezes chamava atenção dos pais, por vezes das crianças. Bem bonitinha, bem preocupada, como as crianças realmente não são. Já brincou de ninar, de bonecas, e já parou pra pensar quantos grãos de areia cabem na ponta do nariz.
"Fique assim, fique assim
sempre assim.
E se lembre de mim
pelas coisas que eu dei.
E também não se esqueça de mim
quando você souber enfim
de tudo que eu falei."
Nanana, lalala.. e a voz do avô ia virando um zumbido. E ela vivendo presente no futuro que já tirava sono. Alternava suas viagens psicóticas das irrelevancias que atormentam uma menininha com aquelas que acordam mães na madrugada. Ela era diferente de tudo que já passou pela sua idade. Pensava na mordomia que foi criada. Mas era só largar o Thó Xêxudo um pouquinho, que um campo de batalha naval invadia sua realidade.
"Menininha, menininha..."
E assim ela foi deixando sua credulidade. Com o tempo deixou de parar e pensar, passando a pensar e parar de olhar pros lados com os mesmos olhos que o Thó Xêxudo já assistiu...
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2 comentários:
de tudo seu que eu já li, sem dúvida o melhor!
ficou demaissss maria! ja te disse...
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