segunda-feira, 28 de junho de 2010

Esteira


A rua passa e
fico pra trás.
A alma segue e
o corpo fica. Mãos acenam no ar, movimentam
o vento que balança as árvores e grita ao
meu ouvido Verdades sobre o mundo.

Machucam, e
o crédito é incerto.
O vento decepciona-se
comigo.
Ofereço um abraço,
sou correspondido
com calafrios de gelar
a espinha,
reunindo minh'alma ao corpo.

Verdades
Junto a mim esperanças
delas se concretizarem. Mas a espera leva à Indignação e
esta leva ao desânimo.
Assim ficamos Anônimos.
O vento avisou.


Ao som de...
Devo te cá

quinta-feira, 24 de junho de 2010




MOVIMENTOS TETRAPLÉGICOS



Você acha que o caminho é longo, mas se esquece que a qualquer instante pode parar numa cama de necrotério.
Você fala: ah, daqui a algum tempo eu faço isso, mas esquece que o presente é o passado mais recente e que o futuro é inconstante, ninguém conhece e não sabe se algum dia chegará.
A sua vida está passando enquanto você acha que só o que importa é estar na moda, fazer o que todo mundo faz, do jeito que todo mundo faz.
Enquanto você acha que é fodinha você esquece de seguir seus sonhos!
Sua vida tá passando e enquanto isso eu sinto a dor como ninguém.
Dor insuportável de um ferido sem remédio, viciado sem agulha.
Dói o ar, a terra, dói o mar.
Dói a dor de fome, de frio.
Sinto que não há mais como, não há mais onde.
O silêncio grita, o socorro fala por si.
Pensamentos revolucionários seguidos de movimentos tetraplégicos.
O despertador está do seu lado, e já entrou em ação.
Agora é a sua vez... a não ser que sonhe em ter como último movimento suas vãs tiritações.

domingo, 20 de junho de 2010


“Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo, derrotados.
Pra essas sementes mal plantadas,
Que já nascem com cara de abortadas."
(Cazuza)

Parece que o que falta é coragem. Tudo o que acontece de errado é culpa dos outros, e nós, no nosso imenso comodismo permanecemos deitados no sofá lamentando (por alguns segundos) a desgraça alheia. Paralisados numa vidinha medíocre pensando sempre em qual vai ser a próxima roupa que vamos comprar, ou em qual shopping vamos mergulhar nossas frustrações pagando por pedaços de nós mesmos, procuramos preencher o vazio que fica quando percebemos que aquilo tudo não serve pra nada.
Se o mundo está se encaminhando pra um fim trágico, onde pessoas ignoram e matam umas as outras é por culpa exclusivamente nossa. E é claro que você vai pensar: “eu não saio por aí matando ninguém”, mas assim como eu, você permanece passivo, contribuindo para que quem faz, continue fazendo e quem sofre, continue sofrendo.
“Assim como eu”; porque me incluo no grupo dos apáticos. Não estou aqui para me justificar, pra parecer politicamente correta ou pra chorar o sofrimento dos outros. Eu vejo uma realidade que me incomoda e resolvi incomodar os que optaram pela cegueira. Incomodar essas cabeças vazias, “essa gente careta e covarde” e ver se pelo menos uma vez elas conseguem olhar pra alguma coisa além do próprio umbigo e perceberem que somos iguais em desgraça.

Dedicado a José Saramago, um homem que descreveu essa cegueira humana com muita verdade, sensibilidade e sabedoria. Muito mais do que um simples escritor, uma mente brilhante que muito me ensinou e inspirou com suas palavras . (16/11/1922 - 18/06/2010)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

 


Parece loucura, eu sei. Mas cabimento não há!
Ela entra, se apresenta, apresenta o cenário, os integrantes. Até aí, foi. Normal, é comercial. E que rufem os tambores: as incógnitas entram. E, nossa! a questão que não quer calar: "Você, telespectador, acha que ele é gay, prostituto, chefe de família, ou trabalhador?". É uma questão trabalhada no psicológico de quem testemunha, do outro lado da televisão, esse afronto que incomoda e alimenta uma curiosidade colossal. Tamanha curiosidade que o faz se deslocar, memorizar o telefone que ali aparece, e discar. Desde então, o ibope cresce. E, lógico, a produtividade que resulta na cultura popular tá lá em cima, junto com o ibope. É excesso de ausência! Explicação outra parece não existir. Aliás, é o esperado. Não seria de bom caráter largar um Shakespeare, ou até mesmo os classificados de domingo, para ver a ilustre Márcia passar com seu cabelo excêntrico, e o sublime figurino. O público é assíduo, e idolatra, discute, vibra, se impõe, alimenta as dúvidas, enaltece a originalidade, e espera até o último segundo para conferir o resultado do DNA (naturalmente). O alheio é sempre muito bem vindo, mas a ignorância é repudio. Chega a ser cômico, certas vezes são alcançadas dimensões oníricas que não são críveis de uma possível existência. E lá está você (por favor, você não) sentado no seu sofá, com pantufas, controle na mão, e olhos nos olhos. Mexeu com você, mexeu com a apresentadora, rapaz!

Por favor, os cachorros na rua latem! vá checar se eles têm sede!

Post Scriptum: Que fique claro! Nenhum laboratório foi necessário para tais conclusões. Apenas uma tentativa de adormecer, coincidentemente com a TV ligada, os ouvidos enxergaram os afrontos.

domingo, 13 de junho de 2010

Nascer Livre.

Meu texto aqui não vem protestar, e sim repassar um protesto. Não sei se conhecem, mas quero vos apresentar uma cantora inglesa de gênero ragga e rap conhecida por M.I.A.

          Nasceu em Londres (apenas um dia após de mim – oba!), porém com alguns meses de vida voltou ao país de origem de seus ascendentes: Sri Lanka. No entanto, teve uma infância um tanto conturbada, pois durante a época que viveu lá, o país passava por uma guerra civil. Tinha uma relação muito restrita com seu pai, pois o mesmo havia sido recrutado para o Exército do Sri Lanka.
          Com a situação desse jeito, ela e sua família, com exceção do pai mudaram-se para a cidade de Chennai, na Índia, país também envolvido na guerra civil, por motivos como considerarem o Movimento Separatista Tâmil (o qual o pai dela defendia) uma ameaça ao governo indiano. Depois, durante um período em que instalaram-se na cidade de Jaffna, a guerra se alastrou afetando a região que propôs experiências não muito agradáveis à M.I.A., como por exemplo ter sua escola destruída por um ataque do governo.
          Aparte a essa infância um tanto quanto pesada para uma criança de 8 anos, aos 11 anos de idade ela e sua família retornam a Londres e é quando M.I.A. aprende a falar inglês e se interessa pela música. Seus hits mais conhecidos são “Bucky Done Gone”, “Galang” e “Paper Planes”, esta incluída na trilha sonora do ganhador do Oscar “Quem quer ser um milionário?”

          No entanto, não venho aqui contar sobre a história de vida da cantora, e sim sobre sua última música lançada, “Born Free”, que tem gerado polêmicas e debates ao redor do mundo. A música tem cunho político-social e fala sobre liberdade, e a grande questão que incomodou muito foi não a letra, mas sim o videoclipe da música, que acabou censurado no Youtube.
          (Spoiler) O vídeo mostra imagens extremamente fortes e violentas, como pessoas apanhando da polícia, pessoas ruivas sendo levadas para uma espécie de campo de concentração e se desfragmentando ao serem explodidas por bombas e sim, mostram um menino de 11/12 anos, também ruivo, levando um tiro na cabeça.
          Confesso: levei um susto ao ver as cenas que vi. No entanto, penso que o que M.I.A. quis dizer serviu como um tapa na cara das pessoas. Ela tentou passar a mensagem “Não a violência” mostrando a violência, e acho justo, pois como já disse, M.I.A. vivenciou momentos que precisam de “estômago” para viver, ainda mais sendo uma criança. São cenas fortes? Sim, cruéis. Mas se matam crianças por aí, porque não mostrar ao mundo, se isto realmente acontece? Na minha opinião, é um meio de chamar atenção de todas as pessoas às atrocidades que acontecem por aí a fora enquanto você está feliz comendo seu McDonald’s. Creio que os ruivos representaram qualquer minoria que é oprimida e que luta por seu espaço mas ao mesmo tempo sofre com atos desumanos aplicados, normalmente, por aqueles que governam e que julgam justo submetê-las às suas próprias leis e vontades sem ter um mínimo de consideração por serem HUMANAS.
          Infelizmente, acho que não devo mostrar aqui o link para o vídeo, justamente por ele ter sido censurado na internet. No entanto, aos que sentiram-se interessados, é só digitar no Google, pois há um site criado especialmente para a exibição do vídeo. E mais além, existem diversos vídeos no Youtube de análises e pessoas expondo suas opiniões sobre o vídeo.
          Não vim aqui dizer também que agora estou indo para o Sri Lanka ou para África lutar para mudar isso, INFELIZMENTE. Como já disse no início, vim aqui para repassar a mensagem da cantora, que julgo ter sido de extrema nobreza, tendo em vista o mundo desumano em que vivemos há muito tempo.


"QUEM TEM MEDO ASSIMILA TODA FORMA DE EXPRESSÃO COMO PROTESTO!"
Xáneu nº 5 - O Teatro Mágico

domingo, 6 de junho de 2010









Sing my soul, sing myself


Tento pensar, logo existo. Quem não tenta nada é, nada faz.
Quem não tem sede de mudança é conformado, e conformação no presente só pode ser ignorância. Como estar satisfeito com tanta injustiça, tanta futilidade?
Os “nada” são “tudo”. Os “tudo” não são. E eu, o que sou? Porque sou?
Potenciais no cabide e idolatração nas cópias.
A maioria é o que define, todos são um, um igual ao outro.
Se uma lâmpada eu tivesse, um desejo eu teria: ser diferente, e é isso que faço/tento nesse novo mundo criado por quatro – quatro jovens sedentos de mudança.
A trilha sonora da mente tentarei cantar para vós e todos os acordos se tornarão acordes com apenas um intuito: o bem.
Não intento fazer mal algum a alguém, mas, se por acaso o fizer, peço que pensem. Pensem, mas pensem muito, pois incomodação é o anti da acomodação, e só se acomoda quem perfeitamente bem está.
Enquanto me lendo estiverem, um instante de exílio musical lhes peço. Um instante rápido, mas de infinidades , infinidades de sons se confundindo, se misturando, mas, que no fim, se unirão, formando a mais bela canção: a canção da sua vida.
Paro e penso: era para estar falando do meu eu.
Paro e me desculpo: o meu eu não me satisfaz, quero ser mais, preciso ser mais.
Paro e me despeço: no meu exílio vou entrar pois realmente preciso sonhar.

sábado, 5 de junho de 2010



"- O mundo é hostil."
Aquela frase não saía da minha cabeça, que viajava se perguntando o por que disso. Alguma coisa tava faltando? Havia coisas demais? Que coisas?
Passei então pra hipótese da existência de mais de um mundo. Um mundo particular criado por nós mesmos. Ele pode ser tudo: profundo, colorido, grande, pequeno e até... Hostil.
O meu mundo vive mudando. É um mundo que gira, muda de forma, muda de cor e de nome. É uma mistura do eu com todo mundo. Eu sempre o mantive protegido, mas quanto mais eu tentava esconder, menos ele me deixava em paz com seus rodopios e malabarismos que eu simplesmente não controlo.
Como eu sempre tirei coisas ao meu redor pra colocar nesse que era só meu, resolvi por de volta essas coisas só que agora acompanhadas do que vem de dentro. Pra mostrar (ou tentar) esse espaço, lugar, vazio, ou sabe-se lá o que é, onde eu junto os pedaços, onde há alegria, tristeza, comedia e hostilidade, onde eu me dou o direito de acreditar em pelo menos seis coisas impossíveis antes do café da manhã. Eis o meu mundo: aproveite.  

quinta-feira, 3 de junho de 2010


Ins/Ex Piração

Se escondeu.





Ah! Apareceu! Como de costume, se libertando nos momentos mais impróprios. Mas cá estou eu para recepcioná-la da melhor forma. São uns pensamentos vagos, umas cenas ilusórias, non-sense, questões inesperadas. Talvez até uma interpretação em extinção. Parte são reflexões de uma vó, parte são flexões de alguém que receia se perder por aí, em um bando qualquer. Mas continua sendo um você. Um "você" que tem mania de papel, mania de ver água que escorre dos olhos pingar e borrar os rabiscos, mania de intensidade, de calmaria. Vicio por espiritualidade, pelo politicamente inexistente. Jamais indisposta a auscultar você, ou a meretriz, três garis, o belas artes, o moço do fuzil, meu cachorro. E a partir disso criar o EU.. que está por aí, querendo ser capaz de várias interpretações e de poder mostrar que a barreira impedindo ser VÁRIOS eus, cada um diferente, foi quebrada, despedaçada, esfarelada, e jogada como um corpo cremado de um balão em cima da Capadócia.
Admito que me identifico espirais: "curva que gira em torno de um ponto central, afastando-se ou aproximando-se deste ponto, dependendo do sentido em que se percorre a curva". Achei minha alma gêmea, o encaixe perfeito. E numa enciclopédia! Era previsível que isso acontecesse. Agora eu to amando! E enquanto o assunto é amor, todo mundo costuma se prolongar né? Por isso, termino por aqui, apresentada, apaixonada, e iniciada.

terça-feira, 1 de junho de 2010




EU


Oi.. testando.. alô? Oi.. opa! Isso! É.. então. Eu sou novo aqui né, pelo que parece. Bom, eu não sou muito bom em falar sobre mim mesmo. Acho que ninguém é. Mesmo aqueles que acham que são. Porque, por mais que neguem, todo mundo muda a todo momento. Eu já não sou mais o mesmo que era quando comecei a falar isso aqui. É engraçado isso: as pessoas tem mania de dizer como elas são, sem lembrar que daqui a um milésimo de segundo ela já não é mais aquela do milésimo de segundo passado, por menor que seja a mudança! Outra coisa engraçada, são aquelas pessoas que gostam de viver aquele lema: “Esqueça o passado, viva o presente, e não pense no futuro!”. Posso estar errado, mas acho que viver o presente sem se preocupar com o que vem por aí é um tanto egoísta, não? Ou melhor, nem egoísta é, pois a falta de consideração é consigo mesmo! Você vai viver, fazer o que bem quiser (ou puder) e foda-se o que acontece depois? As (in)consequências podem acabar te afetando! E quanto aos outros ao teu redor? Você simplesmente não vai “lembrar” deles? Tá certo, você não precisa pensar no julgamento que eles farão sobre você, mas você precisa pensar se tuas atitudes vão acabar afetando alguém, tanto negativamente quanto positivamente. Acho que não estou falando nada novo aqui, né? Droga, não falei que sou ruim nisso... Bom, vou falar sobre as visitas que eu farei aqui. Me juntei com esse povo aí que resolveu falar o que der na telha. Não queremos, nem esperamos alguma aprovação concreta, mas também não faremos mal a ninguém. E claro, assim como exporemos nossas idéias (coerentes ou não), sintaxe a vontade, como diria F. Anitelli, pra falar. E estamos aí, pra quem não quiser, tem de sobra...


“Se não sou eu / quem mais vai decidir / o que é bom pra mim / dispenso a previsão. / Ah se o que eu sou / é também o que eu escolhi ser / aceito a condição.” Rodrigo Amarante

"Eu que já não sou assim
muito de ganhar,
junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz."

O Vencedor - Marcelo Camelo