Lemniscata
Meu cigarro tá acabando. Merda. E eu não consigo acender outro, nem mesmo no próprio cigarro. Que merda de vício! Posso acabar com ele agora mesmo; pra isso preciso sentir a dor do cigarro e como ainda não tenho câncer, só posso enfiar essa merda na minha própria pele. Vai doer pra cacete. Mas eu não quero parar. Todos têm seus vícios e esse é um dos meus. Também tenho minhas virtudes que vão muito além desse pequeno cilindro recheado de morte, espero que algum dia alguém veja isso. Acho que se eu cravar esse resto de cigarro na palma da minha mão, aí mesmo que não largo o vício. Que se foda a dor. Faço dela minha amiga passageira. Se ela veio, é pra me mostrar algo. Não sei o quê, ainda não senti. Pode ser pra me mostrar que sou um idiota, ou talvez pra dizer que a vida é assim mesmo, cheia de dores e eu preciso me acostumar com elas. Porra, finalmente consegui acender esse isqueiro!
(pós-inspiração)

4 comentários:
No cais mais um cigarro e sem amarras não demoro em não ter rumo, moro ao léu e fumo, fumo.
muuuito foda lucas!
"esse cilindro recheado de morte" e amigo passageiro(ou não tão passageiro assim).
Muitas coisas são recheadas de morte. E os isqueiros só acendem quando conseguimos enxergar isso...
Muito bom!
A propósito, gostei da nova cara do blog.
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