terça-feira, 5 de outubro de 2010



Into the road, on the wild


Teve um dia que cansei. Cansei de tudo: do consumismo exagerado, da futilidade, da falsidade, do covardismo, enfim, de tudo que ronda nossa sociedade. Cansei também de sair na rua e ver um prédio atrás do outro com uma árvore plantada na frente, só para que, ao olhar, os tolos falassem: “olha, tem até um verdinho aqui!”.
Quero montanhas, desertos, cachoeiras. Rios limpos! Quero muita neve, muito frio, e um pouco de calor. Praias. Nudismo! Uma rede pra descansar. Uma van da paz pra viajar. Quero uma mochila onde caiba minha vida: um casaco, uma calça e uma blusa. Meu par de botas tá no pé e o isqueiro no bolso, e é só isso que preciso.
Não ter hora pra voltar, não ter ano pra voltar. Viver inconstantemente pra onde a vida quiser que eu vá... fazer novos amigos, amores. Conhecer sábios, tribos, pessoas diferentes.
Entrar no buraco menos habitado da face da terra e não falar pra ninguém que já fui ali.
Quero poder me satisfazer comigo e com meu eu. A solidão é um estado dos fracos: você passa sua vida conhecendo pessoas e deixa de se conhecer.
Parar, pensar, respirar lá do alto da montanha mais alta que estiver a vista. Cantarolar um Jimi, quem sabe ter a sorte de poder tocar Janis.
Levar uns livros... não importa quais, não importa o que a crítica disse deles, importa se te agrada ou não, se te faz bem.
Acho que alguém sentirá falta, mas essa falta será recompensada ao saber que estou vivendo.
Não sei se vou voltar, não sei pra que voltar.
As pessoas costumam criar laços por toda esquina de rua boemia que vão e acabam se prendendo. É a necessidade, é o ser dependente, viciado. Prefiro pensar de outra forma: passar em cada lugar que minhas pernas tiverem condições de me levar, e em cada um, viver uma vida. Aprender o necessário, ajudar no que for preciso, e, principalmente viver.
Todos tem medo da morte. Fica a dica: porque? Você não tá vivendo mesmo. Ou você acha que isso que você ta fazendo aí é viver?
Já pisou numa terra molhada? Já sentiu o gelado da lama entre seus dedos se encaixando perfeitamente ao seu eu?
Já comeu uma carne que não fosse plastificada? Não falo pra sair matando por aí, mas a cadeia alimentar é essa meu amigo, não há o que temer.
Pode ter certeza, quando meu dia acabar, eu vou deitar no chão coberto de folhas e tentar pensar em alguma coisa, mas só o que virá em minha mente vai ser o mais belo por do sol já visto pelos simples mortais. Te esqueci. É, desculpas, mas, sinceramente, não acho que você mereça ser lembrado numa hora dessas.
Se vou voltar? Essa pergunta de novo? Tá bom, acho que vou sim, mas só pra contar a beleza que é viver selvagemente e trazer pro meu lar, comigo, quem eu acho que é capaz de entender tudo isso.
Então, quer uma carona?

Um comentário:

Lucas M. disse...

Quero!