domingo, 13 de junho de 2010

Nascer Livre.

Meu texto aqui não vem protestar, e sim repassar um protesto. Não sei se conhecem, mas quero vos apresentar uma cantora inglesa de gênero ragga e rap conhecida por M.I.A.

          Nasceu em Londres (apenas um dia após de mim – oba!), porém com alguns meses de vida voltou ao país de origem de seus ascendentes: Sri Lanka. No entanto, teve uma infância um tanto conturbada, pois durante a época que viveu lá, o país passava por uma guerra civil. Tinha uma relação muito restrita com seu pai, pois o mesmo havia sido recrutado para o Exército do Sri Lanka.
          Com a situação desse jeito, ela e sua família, com exceção do pai mudaram-se para a cidade de Chennai, na Índia, país também envolvido na guerra civil, por motivos como considerarem o Movimento Separatista Tâmil (o qual o pai dela defendia) uma ameaça ao governo indiano. Depois, durante um período em que instalaram-se na cidade de Jaffna, a guerra se alastrou afetando a região que propôs experiências não muito agradáveis à M.I.A., como por exemplo ter sua escola destruída por um ataque do governo.
          Aparte a essa infância um tanto quanto pesada para uma criança de 8 anos, aos 11 anos de idade ela e sua família retornam a Londres e é quando M.I.A. aprende a falar inglês e se interessa pela música. Seus hits mais conhecidos são “Bucky Done Gone”, “Galang” e “Paper Planes”, esta incluída na trilha sonora do ganhador do Oscar “Quem quer ser um milionário?”

          No entanto, não venho aqui contar sobre a história de vida da cantora, e sim sobre sua última música lançada, “Born Free”, que tem gerado polêmicas e debates ao redor do mundo. A música tem cunho político-social e fala sobre liberdade, e a grande questão que incomodou muito foi não a letra, mas sim o videoclipe da música, que acabou censurado no Youtube.
          (Spoiler) O vídeo mostra imagens extremamente fortes e violentas, como pessoas apanhando da polícia, pessoas ruivas sendo levadas para uma espécie de campo de concentração e se desfragmentando ao serem explodidas por bombas e sim, mostram um menino de 11/12 anos, também ruivo, levando um tiro na cabeça.
          Confesso: levei um susto ao ver as cenas que vi. No entanto, penso que o que M.I.A. quis dizer serviu como um tapa na cara das pessoas. Ela tentou passar a mensagem “Não a violência” mostrando a violência, e acho justo, pois como já disse, M.I.A. vivenciou momentos que precisam de “estômago” para viver, ainda mais sendo uma criança. São cenas fortes? Sim, cruéis. Mas se matam crianças por aí, porque não mostrar ao mundo, se isto realmente acontece? Na minha opinião, é um meio de chamar atenção de todas as pessoas às atrocidades que acontecem por aí a fora enquanto você está feliz comendo seu McDonald’s. Creio que os ruivos representaram qualquer minoria que é oprimida e que luta por seu espaço mas ao mesmo tempo sofre com atos desumanos aplicados, normalmente, por aqueles que governam e que julgam justo submetê-las às suas próprias leis e vontades sem ter um mínimo de consideração por serem HUMANAS.
          Infelizmente, acho que não devo mostrar aqui o link para o vídeo, justamente por ele ter sido censurado na internet. No entanto, aos que sentiram-se interessados, é só digitar no Google, pois há um site criado especialmente para a exibição do vídeo. E mais além, existem diversos vídeos no Youtube de análises e pessoas expondo suas opiniões sobre o vídeo.
          Não vim aqui dizer também que agora estou indo para o Sri Lanka ou para África lutar para mudar isso, INFELIZMENTE. Como já disse no início, vim aqui para repassar a mensagem da cantora, que julgo ter sido de extrema nobreza, tendo em vista o mundo desumano em que vivemos há muito tempo.

6 comentários:

guerra dos mundos disse...

é mesmo, no brasil por exemplo é a mesma coisa.. com tanta violencia, crimes.. aquele menino que foi arrastado pelo carro? os pais mortos pelos proprios filhos? a menina jogada pela janela do predio? Só piora..

Marina Romano disse...

O mais incrivel é perceber que até o menino que foi "assassinado" no clip entendeu o porque dela ter mostrado essas cenas fortes de violencia, e os adultos, que eram pra ter muito mais mentalidade do que o menino, ficarem censurando o video.
"Há algo de podre no reino da Dinamarca(?)"

Matheus Malafaia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Matheus Malafaia disse...

''Veja, você, onde é que o barco foi desaguar...''
o mundo precisa de mais gente como você, meu amigo...

nath disse...

não podemos ir pra lá lutar para mudar isso, mas já fazemos a diferença se temos essa vontade de lutar.

Jú Abduche disse...

E tem gente que fala que somos civilizados... Pobres dos "adultos", que preferem censurar a ter que ver o que eles mesmos provocam. Isso sim, é digno de censura.