Eu. Primeira pessoa singular, triste e sozinha, vivendo num reinado onde nós, vós e eles são usados como forma de generalizações da culpa. Cansei. Vou assumir: não aguentava mais a solidão. Antes que pensem – se é que vão – , não, não estou falando do tão badalado amor. Falo de mim, que precisa de algo e não de alguém. Já sei, uma caneta. É, uma caneta me basta. Assustador. Como pode um objeto tão simples ser o mais fiel companheiro? Vai além, companheiro e representação. Pronto, um problema resolvido. Surge outro: minha gaveta não fecha mais. Tento, empurro, aperto, amasso. Continua igual. Incrível: cheguei no meio de uns amigos outro dia e eles pareciam tristes. Perguntei se tinha acontecido algo. Tá, eu acho que vocês não vão acreditar, mas mesmo assim vou continuar. Eles me falaram que estavam com um problema, e quando perguntei qual, a resposta seria simples: nossa gaveta não fecha. Na mesma hora meus olhos se encheram de lágrimas. Olhei nos olhos dos três e vi a esperança, aquela, que todos dizem ser abstrata e impossível de tocar. Mais uma vez o “todo” se deu mal, eu consegui! Os olhos deles acompanharam os meus, seguidos de alguns instantes de silêncio, até que a gente cansou. Resolvemos gritar! Engraçado, depois desse dia nunca mais nos calamos.
Nós. Primeira pessoa do plural, juntos e aqui...
Tertuliando sobre a inspiração que nos falta/sobra, onisciências, indagações, céu, la vie boheme, vhs, pesadelos, ônibus, presenças e ...
Tertuliaremos a cada semana, com um tema (no sentido mais denotativo da palavra: "latim thema, -atis, tema, assunto, tese, s. m. 1. Texto que serve de base a um sermão."). E temos 4 para esgotar e explorar cada idiossincrasia.
Ah, quanto às gavetas, você está lendo elas. Bem vindo. Costumava nos dominar um eu calado, contido, mas que agora não mais será mais parte de nós. Falar é o que precisamos, mesmo que não haja quem escutar. Aliás, pensando bem, não queremos que ninguém nos ouça só por ter ouvidos, queremos sim, e muito, pensadores. Pensadores loucos que critiquem, que saiam do conformismo e da superficialidade. Peçamos que odeiem, que tenham raiva da novidade que propomos, mas, acima de tudo, imploramos: não censurem! Com toda a sua licença nos retiraramos. Mas você pode entrar, as gavetas estão abertas a você! Esperamos incomodá-lo.
Desculpas por irmos assim tão rápido e de repente, mas temos a urgência de gritar.
Marina Romano e Maria Theresa
11 comentários:
PALMAS
de quem é o texto?
Espetacular ... Excelente definição ...
NUNCA MAIS MUDOOOSSS
amo vocês! Quem escreveu ?
PARABEEENS
MANDA MUUUITOOO
Orgulho de ter amigos tao inteligentes como voces... parabens, voces sao maravilhosos e por isso que eu amo voces, NUNCA MAIS MUDOS .....
Irado! Parabéns galera !
muito xooou! amei!
o segredo é abrir as gavetas e explorá-las....
Acho que todos nós temos gavetas abertas esperando para serem exploradas... nosso ser clama para sair desse estado tão apático de mudez eterna e simplesmente expressarmos ao mundo o que somos. Cara, sabe o que há de extraordinário nisso? É descobrir que existem pessoas que escrevem muito melhor que vc, e que por meio dessa iniciativa como a que vcs tiveram podemos compartilhar todos nossas gavetas. Gosto disso, e agradeço o incômodo.
=)
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